O Eu Lírico e Eu (maio/2020)
Venha ler a linha do pensamento
do belo e do estranho.
Já vou dizendo que
o sujeito não sou eu.
Sou o caminho dele.
O sujeito está aqui,
é só procurar.
Ele é o que confabula,
que tece toda a trama.
Sou o decodificador.
Ele é personagem
e eu, declamador.
O protesto é dele,
a imagem é dele, e
a mensagem também.
Assumo a falta de rima.
Dele são as peripécias.
Eu fico com a artesania.
Estou aqui para te confundir.
Entro para ajeitar a casa,
dividir em partes,
colocar o ponto final,
a vírgula e a exclamação.
A interrogação não é minha.
É ele quem põe as questões.
Às vezes ele se assanha.
Apronta comigo, e com você.
Dou-lhe uma rasteira,
tomo às rédeas!
Mas ele é tinhoso, astuto,
e sai lá na frente quase emancipado.
Mas me apresso e o agarro na curva.
Temos uma boa prosa e tudo se ajeita.
Então saímos lado a lado em harmonia,
dando gargalhadas dos visitantes.